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por Dominique Abaurre Valansi fotos e ilutração por Marcus Paulo
RJ
Nado Leal

Nado Leal, um dos principais DJs de black music do Rio, é praticamente o mais badalado do meio da semana. Confira sua agenda: às terças, ele toca na festa Afrorio que rola no Teatro da Lagoa; às quartas, ele faz um happy hour de 19h às 22h, no Caroline Café do Centro; e às quintas podemos encontra-lo no Les Artistes, dividindo as pickups com Duda M. Quando não está tocando, Nado, que é publicitário, trabalha na Nü-des, um escritório de design super conceituado do Rio. Mas nem assim ele fica longe dos vinis: a Nü-Des é muitas vezes chamada para dar palestras em faculdades. Então, para dar um toque a mais, Nado toca ao vivo durante as apresentações, para a alegria dos estudantes que curtem uma boa música. No seu som, muito hip hop, black music, trip hop, drum and bass e house. Conversamos com ele um pouco antes de sua apresentação na Afrorio, aliás, uma das melhores noites da semana. Ta tudo dominado.

Como você começou a tocar?
Em festinhas em casa, foi em 1982, 1983. Foi quando eu acho que comecei a entender alguma coisa. Meu irmão comprou um toca-disco e um mixer e aí eu comecei a ouvir rádio e comprar disco. Profissionalmente foi em 1990. Eu trabalhei na rádio Transamérica. Aí, um dia, me chamaram porque estava faltando um DJ na Babilônia. Aí eu fui cobrir o cara e fiquei.

Você foi DJ do Monobloco, como foi essa experiência?
Boa experiência. Foi maneiro. Eu conheço Simon, que é o empresário. Aí acabei conhecendo o Pedro e a galera toda da banda e surgiu essa idéia de fazer o Monobloco, que é um bloco formado por pessoas que não tocam profissionalmente e fizeram um workshop. A idéia foi essa, fazer uma festa e aí eu ia tocar nos intervalos pra encher o tempo parado do bloco. Aí a idéia de fazer uns scratches no meio da batucada começou a cair legal. Aí surgiu essa idéia. E foi um sucesso tremendo o ano passado. A gente ficou amarradão porque lotou. Foi gradativo. Em fevereiro, antes do carnaval, foi aquela loucura. E pra completar foi a saída do bloco na Gávea. A minha participação foi até pequena porque o caminhão andava e não dava pra tocar. Mas foi uma experiência tão boa que vai voltar no final do ano. Espero que seja o mesmo sucesso de antes.

Onde você já tocou?
Na Sweet Home, uma das melhores casas que eu já toquei, mas foi demolido. Toquei no Mostarda, no Well's Fargo. Fiz baile na zona norte, bailão, aos domingos, mas não era funk, era black music mesmo. Lugar fixo foi isso, fora as festas. Fiz todas as festas da Vizoo, Fundição Festa Soul durante um ano. Aí festa de galera que liga pra tocar. Já toquei no Chile em 1995, mas foi estranho tocar em um lugar que você não conhece ninguém. Mas hoje em dia a parada está mais "globalizada", já dá pra ter idéia do que toca no mundo inteiro. Até pela Internet dá pra sondar o que toca nos lugares. Já toquei em São Paulo e Curitiba.

Qual foi a sua melhor festa?
Hoje em dia, com certeza, é a Afro Rio. Não tem dúvida. Pra gente é suspeito falar, mas, se toca de todo tipo de música, o lugar é maneiro, as pessoas são maneiras. Numa terça-feira, não tem festa melhor. Mas recordando, a Festa Soul, da Fundição, era uma parada pra seis mil pessoas.Ali era a glória tocar hip hop e músicas que nunca tocavam no rádio, e o pessoal dançar amarradão.

Você acha que a noite carioca fica a dever pra noite de São Paulo?
Sem sombra de dúvida. Não querendo falar mal da noite daqui, a gente se esforça. DJs cariocas se esforçam a pampa pra fazer uma noite melhor. Mas faltam empresários, lugares de bom gosto, de boa música. Também não dá pra comparar porque São Paulo é três vezes maior do que o Rio de Janeiro. Aqui você tem noite na zona sul e pouquíssima na zona norte. Lá você tem noite em todos os bairros da cidade. E aqui, tomara que mude alguma coisa.

O que você escuta em casa?
Em casa muda geral. Eu gosto bastante de jazz. Eu cresci ouvindo música. Meu pai não era músico, mas adorava música, tinha uma coleção enorme de MPB. Foi essa herança que ele deixou. Eu gosto de ouvir Milles Davis, Billie Holiday. Gosto de ouvir as músicas mais calmas, pra dar um relax em casa.

Como surgiu a idéia de você tocar em palestras de design?
Há dois anos atrás, eu Billy e Ernani, a gente se associou, o Billy já tinha um escritório de design e a gente se formou pra fazer a nova Nü-des. E aí, desde então, o Billy faz palestras e eu vou tocando como DJ. É uma palestra musicada. Passa um vídeo e eu vou tocando em cima ao vivo. É uma experiência maneira. A gente já fez na PUC, em Curitiba e todas as faculdades vão nos chamando, por ser uma palestra diferente, com DJ, vídeo, o Billy que é uma pessoa diferente. É uma nova experiência pra mim, uma outra área que eu estou entrando. É legal porque mexe com estudante e mexe com uma galera que gosta de música também. E é legal levar o som para a faculdade. É uma coisa diferente.

 

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