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a Ecosystem – megarave
ecológica, em Manaus – nós já falamos.
Agora, nada mais justo do que uma matéria com seu criador.
Sendo assim, a MOOD trocou uma idéia com o DJ paulista,
radicado em Nova Iorque, Carlos Soulslinger. O cara, que largou
a carreira de veterinário para se dedicar exclusivamente
aos toca-discos (e tem uma teoria muito interessante sobre
isso), foi praticamente um dos primeiros guerreiros do Movimento
Jungle. Sim, Jungle! Como muitos outros que compartilham sua
opinião, Drum and Bass, para ele, é outra coisa.
Soulslinger é defensor da cultura das ruas, do gueto,
considera o Jungle um filho do Hip-Hop e eleva a sua missão
como DJ a um nível quase que espiritual. Amém.
“Jungle Roots”? Pode ser...
Como e onde
foi o início da sua carreira? Tocando o quê?
Foi em São Paulo,1986, tocando Funk,
Disco e Deep House. Tinha acabado de voltar de Londres, onde
freqüentei o “Taboo” de Leigh Bowery. Ajudei
o Jr. Thonon na formatação do DMC (Dance Music
Club), a primeira entidade a promover a Cultura DJ. Em seguida,
abrimos a Liquid Sky, que começou apenas como uma empresa
de moda e cosméticos. Fomos os representantes da grife
“Vivienne Westwood” no Brasil, pois ela retratava
verdadeiramente o estilo pós-punk, única salvação
do mercado fashion na época.
Você
é veterinário. Por que abriu mão de uma
coisa pela outra? Rolaram decepções?
Pois é. Saquei que veterinários
cuidam principalmente de rebanhos. Rebanhos esses que servem
para todo mundo comer mais carne e usar mais couro animal.
Percebi o erro humano naquela ciência. Cuidávamos
dos animais para favorecer a predação humana.
Nos comportávamos como BARBAROS CIVILIZADOS! A partir
daí comecei a me interessar mais por nutrição
e outros estudos, chegando à conclusão de que
podemos viver de maneira não programada, do melhor
ponto de vista físico e espiritual.
Como conheceu
o Drum+Bass e por que adotou-o como o seu estilo?
Drum and Bass, não. JUNGLE é
o movimento universal,
antes conhecido como HIP-HOP! DB é termo de jornalista
que só começou a acompanhar a evolução
do ritmo depois de 1996. No meu caso, estou no Jungle desde
seu primeiro dia, pois acompanhei o nascimento do estilo.
Na época, eu já estava compondo e tocando em
Nova Iorque. O chamado Movimento Jungle aconteceu já
comigo in the mix! Ajudei a abrir caminho para todo o Movimento
nos E.U.A. Em 1991, eu era residente na “LIMELIGHT”
e dividia espaço com Lenny D, Moby, Frankie Bones etc.
Eu era o maluco brasileiro tocando coisas diferentes do “techno
normal”... Tocava batucada brasileira e breakes... Assim
comecei a tocar HIP-HOP acelerado em 45 RPM!... Chamamos de
Fast Breakes.
E em Nova
Iorque? Você já chegou lá tocando ou teve
que esperar para fazer parte de alguma "panela"?
E por falar nisso, existem “panelas” de DJs em
NY?
OF COURSE!!!O mundo é o mesmo em
todos os lugares. Mas se você é particularmente
bom, prosperará. Talento sempre é reconhecido.
Às vezes... não é respeitado.
Você
teve que fazer seu nome lá fora primeiro para depois
ter
reconhecimento no Brasil?
Se sou reconhecido no Brasil? No Brasil
me parece que rola uma grande discriminação
com os mais velhos... os que abriram as portas. Lá
fora, Afrika Bambaataa me chama de “The Master Blaster
From Brazil”.
Com
que artistas você já trabalhou e o que está
vindo por aí das suas mãos? O que a gente pode
esperar da Liquid Sky?
Para ter uma idéia, se você
for ao Google pesquisar “dj soulslinger” verá
mais de 4.000 referências no mundo todo do nosso trabalho.
Já publiquei 32 albuns! Remixei de Ziggy Marley a William
Burroughs, trabalhei com nomes que vão de Bill Laswell
a Bernie Worrel (Funkadelic), de Chico Science a Mestre Ambrósio,
de Otto a DJ Spooky, de Bambaataa a Grandmaster DST. Espere
o inesperado da LSD (Liquid Sky Design). Somos os renegados
e rebeldes do universo. Tentamos dar amor e mostrar a única
e, ao mesmo tempo, multifacetada verdade. Remixaremos de Roberto
Carlos a artistas iniciantes. Pintaremos o mundo de todas
as cores e vibes!
Como não
poderia deixar se ser, o que representa a Ecosystem para você?
Louvado seja Deus! A Ecosystem é
a culminação de ideais comuns... a cena que
dizia P.L.U.R (Peace, Love, Unity, Respect)... Cada dia tem
que ter um pouco mais disso tudo. Vivemos em um ecossistema
chamado Terra, nosso lar... Salvaremos o mundo com música.
Pra você,
qual é o mais gostoso de tocar? O que é que
mais encanta em ser DJ?
Dividir com os outros a vibração
musical e espiritual da musica que realmente cura.
Pra terminar,
quais são as qualidades que fazem um bom DJ? o que
você recomenda para os iniciantes?
Ser dj é ser um JEDI (!!!) no quesito
Hip-Hop...
1.º PRESENÇA: como Kool Herc.
2.º ENERGIA: Bambaataa.
3.º TÉCNICA: Grandmaster Flash.
Sem isso, o DJ nao se sustenta. Galera,
o lance é se orientar, revolver sem bala e ler a Kabala.
Saiba mais sobre o Festival EcoSystem, que acontece nos dias
22 a 25 de agosto em Manaus, no site do evento (http://www.ecosystem1.org/)
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