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por Laura Cavallieri
RJ
Ricardinho NS

Como começou sua carreira como DJ?

Bem, comecei aos 14 anos, em 88, fazendo festinhas de playground com amigos de colégio. A partir daí, comecei a me relacionar com discos em geral. Em 90 fiz o Curso de DJ do Memê na Faculdade da Cidade. Em 91 comecei a freqüentar o clube Kitschnet, em Copacabana, onde Jose Roberto Mahr tocava todos os sábados techno, EBM e rock. Comecei então a me desfazer de todos os discos que havia comprado até então (músicas comerciais como Madonna, Rick Astley, entre outros) e comecei a comprar discos de musica eletrônica em geral. A partir daí comecei a fazer festas, dentre elas as duas últimas noites do Kitschnet. Fui chamado para tocar no aniversário de uma grande amiga minha (Christiana Costa Lima) no Dr. Smith, e Roberto Pedrosa me chamou para tocar todo mês na casa. Desde então comecei a tocar e fazer festas em vários locais da cidade, como Well´s Fargo, Reggae Rock Café, Basement, Sótão, entre outros.

O que você fazia antes de trabalhar como DJ? Havia trabalhos paralelos?

Não. Aos 14 anos comecei a vender discos importados para os clubes e DJs de casas noturnas, como Columbus, Cicciolina, Franks Bar, Incontrus, Sótão, Caligola, Babilônia, entre outras, e comecei a conhecer os DJs das casas noturnas. Ao mesmo tempo eu estudava no Impacto de manhã, e por isso chegava normalmente virado todas as manhãs.

Quais as festas onde você já tocou?

No Rio, já toquei nas festas Balako, Evolutiva e Rave-o Lution, entre 92 e 93. Comecei a fazer minha própria festa (After) em janeiro de 1996. Fora do país, toquei na Alemanha, Japão e Inglaterra.

Quais as suas influências musicais?

Gosto muito dos DJs Laurent Garner, Carl Cox, Sven Vath, Christian Smith, Richie Hatwin, entre outros. Tem muita gente boa por aí. Em termos de repertório, gosto muito de techno. Um dos melhores produtores hoje em dia é o Christian Smith, da Tronic Music e Strive.

Qual você acha que será o futuro da música eletrônica no Rio?

Bem, isso eu realmente não sei. A cena mudou muito de 91 pra cá. Muita gente deixou de freqüentar a noite, e ao mesmo tempo muita gente começou a freqüentar. Eu acho que a cena está cada vez crescendo mais, mas que estão faltando casas noturnas no Rio com capacidade de organizar festas legais e de nível... não dá pra você fazer uma festa comercial e dizer que é techno. Isso acaba atrapalhando o trabalho que fizemos desde 91. Muita gente diz que odeia techno, mas na verdade não sabe nem o que é. Isso me deixa puto. Se é pra fazer, que faça direito.

Dá para viver como DJ?

Aqui no Brasil, não. Se dá, é para poucos. O mercado mundial é bem melhor do que o daqui. Aqui os DJs topam tocar por mixaria, dando assim uma ótima oportunidade para os donos de casa noturnas. Temos que valorizar o trabalho e cobrar o que é justo. Uma boa forma de você conseguir se mostrar no mercado exterior é produzindo músicas.


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