Página do Site2
por Laura Cavallieri
RJ
Edinho

Não há carioca conhecedor de rock que nunca tenha ouvido falar no DJ Edinho. Há mais de 15 anos no mercado musical "alternativo". Confira aqui um pouco da história do rock em um rápido bate-papo que tivemos com Edinho.


Como tudo começou?

Tudo começou por volta de meados de 86. Como quase todos sabem eu vivia no Crepúsculo de Cubatão, era habitue e conhecia a programação da casa muito bem, às vezes o Dj residente na época, Paulo Futura, queria dar uma volta fora da cabine de som e me pedia para substituí-lo. As pessoas sempre vinham me elogiar, diziam que minha seleção musical era muito boa, e me elogiavam para o Tristan (o dono da casa).

Nessa época eu nem pensava em levar a sério o fato de me profissionalizar como Dj, era mais curtição mesmo. Sempre fazia fitas para as festinhas dos meus amigos, mas com o tempo comecei a levar mais a sério a possibilidade de me tornar Dj. Daí para começar a fazer festas em boates foi um passo....

Já nesses tempos eu dividia as noites com o Wilson (Wilson Power - Bunker). As primeiras festas que fizemos juntos foi a "In The Dark", ainda no Crepúsculo, e que depois virou a "Rock'n'Beat" - ela era a gênese do que viria a ser a "Rock Power".

O Crepúsculo havia fechado e o Tristan estava reformando a casa que reabriria como Kitschnet. Nesse meio tempo alguns amigos meus que trabalhavam na noite começaram a freqüentar as minhas festas e a me elogiar bastante. Fui convidado para tocar com o Maurício Rocha na pista 2 (Estação SP) dos Noites Cariocas, esse foi meu primeiro trabalho como profissional. Fiquei com ele durante uns 6 meses; o Tristan estava com algumas dificuldades para emplacar as sextas feiras da Kitschnet e resolveu me chamar para fazer uma festa rock na casa. Resolvi chamar meu bom amigo Wilson, assim nasceu a "Rock Power" que foi a festa que começou a projetar meu nome na noite do Rio.

Nesse mesmo tempo a Dr. Smith estava sendo inaugurada e o Dj Felipe Venâncio me pediu para ajudá-lo nas noites de 4a e 5ª. As pessoas responderam tão bem a minha seleção musical que os donos da casa resolveram me efetivar como Dj, após a desistência do Felipe de tocar nesses dias na casa. Durante praticamente um ano fiquei tocando no Dr. Smith nas noites de 4a, 5a e Domingos. No fim de 92 surgiu a oportunidade para que eu fizesse também as noites de sábado lá. Foi quando apareceu a festa "Eletroboogie", que existe até hoje. Mas também criei outras festas como por exemplo: a "Soul Train" (somente de Soul 60's), a Shout (de ska e reggae) entre outras...

Em que lugares você já tocou?

Bom, como já disse comecei no Crepúsculo de Cubatão, toquei também nos seguintes lugares: Anjo Azul, Noites Cariocas (no Morro da Urca), na Pick Up (que depois viria a ser a The Case), na Kitschnet, na Dr. Smith, na Bang!, na 1910, na Guetto, na Bunker. Toquei em festas também nas seguintes casas: Cabaret Kalesa, Mistura Fina, Ritmo, Sweet Home, Bobage......

Qual foi a situação mais engraçada que você já presenciou na noite?

São tantas.....Uma vez eu estava tocando na Dr. Smith e havia um cara que estava pra lá de Marrakesh. O cara resolveu se pendurar nas grades da gaiola que havia na pista de dança de lá. As grades não agüentaram com o peso do indivíduo e ele caiu de costas no chão, desmaiando... As pessoas que estavam em volta ficaram muito assustadas e me pediram que parasse com o som. Assim que diminuí o volume, pudemos escutar o cara explodindo em risos. Ele tinha caído e batido com a cabeça no chão, mas estava tão bêbado que nem sentiu nada e achou muita graça de tudo. A galera quase que o linchou.

O que você acha da noite do Rio?

A noite do Rio quando você toca nos lugares certos é maravilhosa, mas ultimamente tem aparecido uma turminha que não tem saído pra noite com o intuito de se divertir... daí acaba estragando a festa das outras pessoas. Vocês sabem bem de quem eu estou falando, não....!!!????

O que você não tocaria de jeito nenhum?

Não tenho preconceito em relação a nenhum estilo de música, mas sou personalista o suficiente para tocar o que gosto. Por isso jamais toco música de que não gosto. Aliás, do que não gosto prefiro nem falar.

Mande um recado para a galera que sai à noite.

Meninas e meninos, se vocês querem se divertir pacificamente, ótimo, serão sempre bem-vindos. Mas se querem arrumar confusão, melhor ficar em casa gastando a adrenalina num vídeo game ou num filme pornô. E outra coisa, prestem atenção no que os djs tocam, porque eles estão ali não para tocar a musiquinha que todo mundo conhece e quer cantar junto, mas sim para informar e mostrar a música que vocês não conhecem.....

 

Pachú (RJ)
Túlio (RJ)
Dj Kalif (Irlanda)
Pacheco (RS)
Jayzone (RS)
Feijão (RS)
Mozart (RS)
Edinho (RJ)