Página do Site5
por Laura Cavallieri
RJ
Fábio Maia

Como tudo começou?

Aí depende. Som em festinhas eu já coloco desde os 13 anos. Aos 16 já fazia as minhas gracinhas nas pistas das boates. Mas, para não ter que falar sobre toda a história da minha vida (e poupar a sua paciência), vamos dizer que este perfil de "DJ alternativo", pelo qual hoje me conhecem, começou há mais ou menos uns 5 anos num programa de rádio que eu fiz com um amigo meu, na Baixada Fluminense, durante 2 anos e meio. Todo o resto foi, direta ou indiretamente, conseqüência disso.

Em que festas / boates você já tocou?

Prefiro entender a pergunta como "Pra que públicos você já tocou?". Pode parecer quase a mesma coisa, mas pra mim tem uma grande diferença. Na minha opinião, o grande barato de ser DJ ou ter uma banda, é conhecer gente em tudo que é canto. O título de "guerreiro", que algumas pessoas entendem como pejorativo, como sinônimo de falta de valorização própria, para mim é filosofia de vida. Acredito cegamente que o artista tem de ir aonde o povo está. Aposto que se você pegar 10 DJs que têm ou tentam ter uma certa exposição, uma boa parte deles nunca nem saiu da zona sul do Rio. Às vezes até sonham com a noite de São Paulo e não querem nem saber de outras áreas de sua própria cidade. As pessoas ficariam impressionadas com a divergência musical que existe de um bairro pra outro. Nessa brincadeira de "DJ antropólogo", já toquei em quase todos os points underground de Rio, Baixada e Niterói, já fiz muito som junto com bandas... poxa, eu já dei som até no Acre!!!

O que você escuta em casa?

Escuto de tudo (claro que com limites óbvios). Como muitos DJs, gosto de um climão mais lounge pra dentro de casa. Apesar disso, não é difícil me encontrarem ouvindo as mesmas músicas que eu toco nas festas. É que gosto de ficar imaginando como determinado som funcionaria na pista, criando seqüências, que música combina com qual.... Coisa de maluco mesmo....

Como surgiu o projeto da festa Laboratório?

Além de DJ, sou publicitário. E como tal, adoro criar conceitos novos. Uma festa, pra mim, não é somente dar um nome em inglês, pegar os disquinhos e vamos lá fazer a mesma coisa parecer diferente. Uma vez, me deu o insight de uma festa que misturava vários estilos (de som e pessoas) e que não fosse uma coisa de mão única, que a galera também pudesse contribuir com idéias e ser atendida (na medida do possível). O grande lance era experimentar e misturar idéias e sons diferentes. Peguei a idéia e amadureci com uns amigos. O nome "Laboratório'' já estava mais ou menos definido. Bingo! Surgiu a oportunidade de tocar o projeto. A produção, além de minha, também era do amigo/sócio/colega de trabalho/ex-músico e habituê da Cubatão/atual pai de família e eterno fazedor de planos Leandro Pierucci. O Pedro (D), que praticamente também começou o projeto com a gente, apareceu do nada na primeira edição festa, conseqüência de um convite meu, feito algumas semanas antes, na festa de aniversário de uma amiga em comum. Foi quando nos conhecemos e já tocamos juntos pela primeira vez. A tal da interatividade acabou virando o principal marketing da nossa festa. Essa brincadeira que virou coisa séria já vai fazer 2 anos...

O que falta no cenário de festas carioca?

No meu ponto de vista, o tal cenário deve ser entendido como um todo. Sendo que esse "todo" é composto por várias "perninhas". Tem que ter uma rádio pra divulgar os sons e fazer a galera voltar a buscar outras coisas. Daí, os DJs reforçam o som da rádio e injetam outras novidades, só que com um foco diferente. A rádio não tem obrigação de fazer ninguém dançar, já o DJ, pra mim, tem! Mas o principal são as pessoas, é delas que tem que partir a vontade de conhecer e experimentar outros formas de expressão. E, como sabemos, estamos passando por uma entressafra cultural das piores. Fora os que nunca tiveram, muita gente boa já perdeu a paciência de "correr atrás", sabe? Se acomodaram, se deixaram vencer. A noite alternativa aparece como uma resistência solitária. Só que, o que era pra ser um exército unido, acaba sendo um aglomerado de pequenas "panelas". Um querendo aparecer mais que o outro. É difícil pensar em um movimento forte. Aí dá nisso: bandas não têm espaço pra tocar, DJs não tem onde fazer uma festa nova mesmo com público certo, o roqueiro não escuta música eletrônica nem por curiosidade e vice-versa. Tinha que rolar uma reciclagem na maneira de fazer e curtir as coisas. Tudo bem que underground é underground. Mas tudo tem limite.





Pachú (RJ)
Túlio (RJ)
Dj Kalif (Irlanda)
Pacheco (RS)
Jayzone (RS)
Feijão (RS)
Mozart (RS)
Edinho (RJ)