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Como
tudo começou?
Aí depende. Som em festinhas eu já
coloco desde os 13 anos. Aos 16 já fazia as minhas
gracinhas nas pistas das boates. Mas, para não ter
que falar sobre toda a história da minha vida (e poupar
a sua paciência), vamos dizer que este perfil de "DJ
alternativo", pelo qual hoje me conhecem, começou
há mais ou menos uns 5 anos num programa de rádio
que eu fiz com um amigo meu, na Baixada Fluminense, durante
2 anos e meio. Todo o resto foi, direta ou indiretamente,
conseqüência disso.
Em que festas / boates
você já tocou?
Prefiro entender a pergunta como "Pra
que públicos você já tocou?". Pode
parecer quase a mesma coisa, mas pra mim tem uma grande diferença.
Na minha opinião, o grande barato de ser DJ ou ter
uma banda, é conhecer gente em tudo que é canto.
O título de "guerreiro", que algumas pessoas
entendem como pejorativo, como sinônimo de falta de
valorização própria, para mim é
filosofia de vida. Acredito cegamente que o artista tem de
ir aonde o povo está. Aposto que se você pegar
10 DJs que têm ou tentam ter uma certa exposição,
uma boa parte deles nunca nem saiu da zona sul do Rio. Às
vezes até sonham com a noite de São Paulo e
não querem nem saber de outras áreas de sua
própria cidade. As pessoas ficariam impressionadas
com a divergência musical que existe de um bairro pra
outro. Nessa brincadeira de "DJ antropólogo",
já toquei em quase todos os points underground de Rio,
Baixada e Niterói, já fiz muito som junto com
bandas... poxa, eu já dei som até no Acre!!!
O
que você escuta em casa?
Escuto de tudo (claro que com limites óbvios).
Como muitos DJs, gosto de um climão mais lounge pra
dentro de casa. Apesar disso, não é difícil
me encontrarem ouvindo as mesmas músicas que eu toco
nas festas. É que gosto de ficar imaginando como determinado
som funcionaria na pista, criando seqüências, que
música combina com qual.... Coisa de maluco mesmo....
Como surgiu o projeto
da festa Laboratório?
Além de DJ, sou publicitário.
E como tal, adoro criar conceitos novos. Uma festa, pra mim,
não é somente dar um nome em inglês, pegar
os disquinhos e vamos lá fazer a mesma coisa parecer
diferente. Uma vez, me deu o insight de uma festa que misturava
vários estilos (de som e pessoas) e que não
fosse uma coisa de mão única, que a galera também
pudesse contribuir com idéias e ser atendida (na medida
do possível). O grande lance era experimentar e misturar
idéias e sons diferentes. Peguei a idéia e amadureci
com uns amigos. O nome "Laboratório'' já
estava mais ou menos definido. Bingo! Surgiu a oportunidade
de tocar o projeto. A produção, além
de minha, também era do amigo/sócio/colega de
trabalho/ex-músico e habituê da Cubatão/atual
pai de família e eterno fazedor de planos Leandro Pierucci.
O Pedro (D), que praticamente também começou
o projeto com a gente, apareceu do nada na primeira edição
festa, conseqüência de um convite meu, feito algumas
semanas antes, na festa de aniversário de uma amiga
em comum. Foi quando nos conhecemos e já tocamos juntos
pela primeira vez. A tal da interatividade acabou virando
o principal marketing da nossa festa. Essa brincadeira que
virou coisa séria já vai fazer 2 anos...
O que falta no cenário
de festas carioca?
No
meu ponto de vista, o tal cenário deve ser entendido
como um todo. Sendo que esse "todo" é composto
por várias "perninhas". Tem que ter uma rádio
pra divulgar os sons e fazer a galera voltar a buscar outras
coisas. Daí, os DJs reforçam o som da rádio
e injetam outras novidades, só que com um foco diferente.
A rádio não tem obrigação de fazer
ninguém dançar, já o DJ, pra mim, tem!
Mas o principal são as pessoas, é delas que
tem que partir a vontade de conhecer e experimentar outros
formas de expressão. E, como sabemos, estamos passando
por uma entressafra cultural das piores. Fora os que nunca
tiveram, muita gente boa já perdeu a paciência
de "correr atrás", sabe? Se acomodaram, se
deixaram vencer. A noite alternativa aparece como uma resistência
solitária. Só que, o que era pra ser um exército
unido, acaba sendo um aglomerado de pequenas "panelas".
Um querendo aparecer mais que o outro. É difícil
pensar em um movimento forte. Aí dá nisso: bandas
não têm espaço pra tocar, DJs não
tem onde fazer uma festa nova mesmo com público certo,
o roqueiro não escuta música eletrônica
nem por curiosidade e vice-versa. Tinha que rolar uma reciclagem
na maneira de fazer e curtir as coisas. Tudo bem que underground
é underground. Mas tudo tem limite.
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