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A boemia carioca tem pontos que atravessam gerações
e modismos, muitas das vezes de forma completamente despretensiosa.
Estamos falando de bares como o Amarelinho, o Bip-Bip, o Bracarense,
o Petisco da Vila, o Jobi, dentre outros encravados nos diferentes
nichos culturais dessa vasta cidade.
Mas é no nicho da imperialista Zona Sul que reina o
Baixo Gávea. Local onde há pelo menos 25 anos,
se cultiva a prática do sentar com os amigos, e munido
de um chope na mão, celebrar o fim do dia, a amizade,
o aniversário do camarada e outras coisas simples que
sustentam nosso corpo em pé sobre a terra.
Às
mesas do Hipódromo, principal bar do Baixo Gávea,
foram creditadas grandes elucubrações culturais
da galera que agitou o cenário alternativo ao longo
desses anos, quem sabe até algumas revoluções
de mesa de bar também.
É claro que, quem cultiva esse carinho pela mesa de
bar - os boêmios - não o fazem esporadicamente.
As figurinhas repetidas do Baixo Gávea causam na maioria
das vezes uma sensação de conforto (podendo
variar para a sensação de estagnação).
Mas o fato é que, quem senta nas mesas do Bar Hipódromo,
não o faz a toa, tem uma história por alí.
Parte dessa história foi vivida e testemunhada por
uma figura mais do que folclórica daquele lugar, e
que completa nessa semana 15 anos de serviços para
o entretenimento etílico-comunitário do Bar
Hipódromo: Lacerda, o garçom conhecido por 9
entre 10 frequent flyers do Hipódromo. Nossa nova Figura
da Noite.
Ciente
de sua fama, Lacerda não revela seu primeiro nome,
e nega parentesco com o famoso ex-governador direitista. Sempre
saudado por seus clientes devotos, Lacerda é a figura
mais enturmada da grande patota que frequenta o Hipódromo.
Mais do que qualquer videomaker sonharia em ser.
Apesar do trabalho pesado, Lacerda está sempre de bom
humor, e personaliza o serviço a seus clientes. Chama
a maior galera pelo nome, e para os novatos, conhecer o Lacerda
é motivo de orgulho. Faz parte da iniciação
naquele espaço social.
Lacerda, nesses últimos 15 anos, viu a geração
dos frequentadores se renovar continuamente, porém,
segundo ele, certas figuras sempre estiveram alí. Nomes?
Nem pensar, ele segue sua ética profissional e preserva
a identidade boêmia de seus clientes. Cabe a nós
observar.
Mas segunda nossa Figura, o pessoal de 15 anos atrás
pegava bem mais pesado que a galera de hoje, e o Bar nunca
fechava antes de 5 horas da manhã. Segundo ele, era
preciso jogar água com sabão nos pés
dos últimos boêmios, e mesmo assim eles não
se tocavam. Seu turno começa as 18:00 e vai até
o último cliente.
Figuras folclóricas do Hipódromo? Sem titubear:
Sady e Chacal. Perguntado, também, qual é o
charme do Bar Hipódromo que o faz tão concorrido,
ele sai pela tangente: o atendimento e o chope gelado. É
claro, é um grande promotor. E aí vai nossa
sugestão para a direção do Hipódromo:
Lacerda para maitrê!!
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