Página do Site7
por Bernardo Medeiros
RJ
Lacerda

 


A boemia carioca tem pontos que atravessam gerações e modismos, muitas das vezes de forma completamente despretensiosa. Estamos falando de bares como o Amarelinho, o Bip-Bip, o Bracarense, o Petisco da Vila, o Jobi, dentre outros encravados nos diferentes nichos culturais dessa vasta cidade.


Mas é no nicho da imperialista Zona Sul que reina o Baixo Gávea. Local onde há pelo menos 25 anos, se cultiva a prática do sentar com os amigos, e munido de um chope na mão, celebrar o fim do dia, a amizade, o aniversário do camarada e outras coisas simples que sustentam nosso corpo em pé sobre a terra.

Às mesas do Hipódromo, principal bar do Baixo Gávea, foram creditadas grandes elucubrações culturais da galera que agitou o cenário alternativo ao longo desses anos, quem sabe até algumas revoluções de mesa de bar também.
É claro que, quem cultiva esse carinho pela mesa de bar - os boêmios - não o fazem esporadicamente. As figurinhas repetidas do Baixo Gávea causam na maioria das vezes uma sensação de conforto (podendo variar para a sensação de estagnação). Mas o fato é que, quem senta nas mesas do Bar Hipódromo, não o faz a toa, tem uma história por alí.
Parte dessa história foi vivida e testemunhada por uma figura mais do que folclórica daquele lugar, e que completa nessa semana 15 anos de serviços para o entretenimento etílico-comunitário do Bar Hipódromo: Lacerda, o garçom conhecido por 9 entre 10 frequent flyers do Hipódromo. Nossa nova Figura da Noite.

Ciente de sua fama, Lacerda não revela seu primeiro nome, e nega parentesco com o famoso ex-governador direitista. Sempre saudado por seus clientes devotos, Lacerda é a figura mais enturmada da grande patota que frequenta o Hipódromo. Mais do que qualquer videomaker sonharia em ser.
Apesar do trabalho pesado, Lacerda está sempre de bom humor, e personaliza o serviço a seus clientes. Chama a maior galera pelo nome, e para os novatos, conhecer o Lacerda é motivo de orgulho. Faz parte da iniciação naquele espaço social.
Lacerda, nesses últimos 15 anos, viu a geração dos frequentadores se renovar continuamente, porém, segundo ele, certas figuras sempre estiveram alí. Nomes? Nem pensar, ele segue sua ética profissional e preserva a identidade boêmia de seus clientes. Cabe a nós observar.
Mas segunda nossa Figura, o pessoal de 15 anos atrás pegava bem mais pesado que a galera de hoje, e o Bar nunca fechava antes de 5 horas da manhã. Segundo ele, era preciso jogar água com sabão nos pés dos últimos boêmios, e mesmo assim eles não se tocavam. Seu turno começa as 18:00 e vai até o último cliente.
Figuras folclóricas do Hipódromo? Sem titubear: Sady e Chacal. Perguntado, também, qual é o charme do Bar Hipódromo que o faz tão concorrido, ele sai pela tangente: o atendimento e o chope gelado. É claro, é um grande promotor. E aí vai nossa sugestão para a direção do Hipódromo: Lacerda para maitrê!!



Gonzalo(RJ)
Georges(RJ)
Lacerda(RJ)
Emilia(RS)