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por Laura Cavallieri
RJ
Bob Street Shop

 


Em frente ao "Zoeira", lá está ele. Tomando conta de um complexo de barraquinhas, exibe uma grande diversidade de produtos comestíveis para as pessoas que passam pela rua do Riachuelo aos sábados. Street Shop (como ele mesmo se define) é daqueles vendedores que conseguiria fazer com que um esquimó comprasse uma prancha de surfe. Se expressando melhor do que muitos universitários, Street conquista pelo carisma e conhecimento, e quando perguntado sobre seu admirável domínio da língua portuguesa, não se gaba, mas conta humildemente que chegou a completar o primeiro grau.

"Me chame de Bob, o Street Shop". Não é difícil deduzir o porquê do apelido. Mas mesmo assim explica: "Eu usei por muitos anos cabelo rastafari, mas cortei em 98". Imagine como não estava antes de ter cortado! Com 44 anos e muito otimismo, Bob já foi funcionário de uma firma de engenharia. Mas bastam dois minutos de conversa para ter certeza de que seu lugar é mesmo na rua.

Durante a meia hora em que estivemos no "território do Street Shop", mais de 30 pessoas apareceram para comprar alguma coisa, ou apenas para cumprimentá-lo. Antes de entrar na festa que rolava do outro lado da rua, meninas chegavam dizendo "E aí, Street", com direito a beijinhos na bochecha. Muitas cervejas e balas foram vendidas sem grande esforço. "Não quero ser pedante, isso é muito chato. Mas todo mundo que passa acaba levando alguma coisa."

"Nunca imaginei que fosse ser entrevistado um dia!". Perguntou então, para onde era a entrevista. "É para a MOOD", dissemos, e lhe entregamos um flyer. E qual não foi nossa surpresa ao ouvirmos o seguinte comentário: "Mood, mood...essa semana mesmo ouvi a música "Mood For a Day" do Yes...e não sabia o que significava mood..."

Figura não, figuraça!



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