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Em
frente ao "Zoeira", lá está ele. Tomando
conta de um complexo de barraquinhas, exibe uma grande diversidade
de produtos comestíveis para as pessoas que passam
pela rua do Riachuelo aos sábados. Street Shop (como
ele mesmo se define) é daqueles vendedores que conseguiria
fazer com que um esquimó comprasse uma prancha de surfe.
Se expressando melhor do que muitos universitários,
Street conquista pelo carisma e conhecimento, e quando perguntado
sobre seu admirável domínio da língua
portuguesa, não se gaba, mas conta humildemente que
chegou a completar o primeiro grau.
"Me
chame de Bob, o Street Shop". Não é difícil
deduzir o porquê do apelido. Mas mesmo assim explica:
"Eu usei por muitos anos cabelo rastafari, mas cortei
em 98". Imagine como não estava antes de ter cortado!
Com 44 anos e muito otimismo, Bob já foi funcionário
de uma firma de engenharia. Mas bastam dois minutos de conversa
para ter certeza de que seu lugar é mesmo na rua.
Durante a meia hora em que estivemos no
"território do Street Shop", mais
de 30 pessoas apareceram para comprar alguma coisa, ou apenas
para cumprimentá-lo. Antes de entrar na festa que rolava
do outro lado da rua, meninas chegavam dizendo "E aí,
Street", com direito a beijinhos na bochecha. Muitas
cervejas e balas foram vendidas sem grande esforço.
"Não quero ser pedante, isso é muito chato.
Mas todo mundo que passa acaba levando alguma coisa."
"Nunca imaginei que fosse ser entrevistado
um dia!". Perguntou então, para onde era a entrevista.
"É para a MOOD", dissemos, e lhe entregamos
um flyer. E qual não foi nossa surpresa ao ouvirmos
o seguinte comentário: "Mood, mood...essa semana
mesmo ouvi a música "Mood For a Day" do Yes...e
não sabia o que significava mood..."
Figura não, figuraça!
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