| Almodóvar
surpreendendo, mais uma vez. Ou melhor, corroborando
seu estilo, confirmando a busca
pela essência, pela loucura humana. Ao fazer isso,
ele não racionaliza o homem, mas tira o véu
do homem pós-moderno fragmentado.
Um chinês dono de uma fábrica
de absorventes íntimos que é abandonado
por cinco mulheres, cada qual a seu tempo. "Diana,
a orgulhosa; Mara, a cínica; Katy, a abelhuda;
Lupe, a hippie; e Raimunda, a freira". Como sempre,
em Almodóvar, temos personagens completas - tanto
as principais quanto as secundárias. A princípio,
as atitudes de cada uma são contextualizadas
em uma colagem, aparentemente sem lógica, mas
que funciona como justificativa inicial, até
o momento em que todos se encontram.
Então, temos os absurdos almodovarianos.
Temos a possibilidade de nos relacionarmos com o, considerado,
bizarro e amoral. Em "Fogo nas entranhas"
não há limites entre as dicotomias afetividade/racionalidade,
moral/imoral, feminilidade/masculinidade. O que há
é o tabu sendo humanizado e aceito.
O interessante ao ler Almodóvar,
ao invés de vê-lo, é que há
uma visualização do que está sendo
dito. Digamos que seja uma "transcendência
sensorial". Parece mesmo que estamos vendo uma
das "chicas almodovarianas" como tresloucadas
atrás do sexo masculino, a velhinha virgem atacando
homem, Madrid em chamas, o desespero de todos, enfim,
as situações tão verossímeis
sempre presentes em seus filmes.
Muito bem definido no prefácio,
por Regina Casé, de livrinho safado, "Fogo
nas entranhas" você lê de uma só
vez - e adora.
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