Calça justa de cintura baixa, de grife – com a marquinha do biquíni aparecendo na lateral. Tamanquinho de salto de madeira. Micro top mostrando a barriga e insinuando os seios pequenos. Cabelos jogados de um lado para outro, com mechas mais claras, argolas douradas nas orelhas, a perfeita patricinha, aquela garota com quem sua mãe sonha em te casar (ou a garota que sua mãe queria que você fosse). Certo?

Errado. Essas aí são as meninas que fazem ponto aqui na Prado Júnior, em Copacabana. Muitas delas bonitinhas, outras verdadeiros bagulhos, mas todas seguem esse mesmo padrão.

As botas de salto agulha e plataforma, deixa pras dançarinas mais ajeitadas e pros travestis ali da praia – que fazem de tudo (ou quase) para parecerem mulheres, usando e abusando das peças de roupa mais caricatas para não deixar dúvidas acerca de sua feminilidade. Nesses casos, qualquer peça mais ou menos unissex pode causar confusão na cabeça do possível cliente.

As meias arrastão, saias e corpete de vinil, esse visual fetiche, quem usa são as garotinhas modernas e descoladas que vão às festinhas da Zona Sul do Rio de Janeiro. Essa história de “ontem saí bem putona com meu tubinho preto” não existe – você pode até parecer um traveco, mas a roupa de fazer ponto para moças é, definitivamente, a que sua prima usa para ir à Nuth.

O mais provocante que elas se permitem são os baby dolls com a bunda aparecendo. E isso em lugares fechados onde rola performance. Já tive a oportunidade de entrar num lugar desses acompanhada de alguns dos nossos colegas  e posso concluir que a experiência não foi nem um pouco excitante para eles.

Teoria da relatividade do fetiche

A origem da palavra fetiche é portuguesa – vem de “feitiço”, vudu, encantamento. Fetiche é o que te atrai, exerce um poder mágico sobre as pessoas. Só que tudo isso é muito relativo.

Os caras que se apegam mais ao estilo “bizarre” de apresentação pessoal são os que têm tempo e meios de pesquisar e encontrar alguma excitação em materiais sintéticos e referências vintage e bondage – muito provavelmente porque não se excitam com qualquer coisa, ou apenas com um corpinho bonito.

Uma roupa toda de couro passa uma mensagem – ainda que falsa – de apreciação do sadomasoquismo. No entanto, uma garota vestida toda de vinil deve assustar um cara “normal”, desses que preferem um bom par de peitos a uma boa conversa – lógico que o ideal é quando o corpão e o bom papo vem no mesmo pacote, mas…

O que acontece em relação ao que se convencionou chamar de fetiche, é que seus adeptos realmente se preocupam em tornarem-se “únicos” – e daí as roupas estranhas, os piercings e tatuagens. Mas, por depender de roupas feitas de materiais e tecidos diferenciados, a “moda” fetiche implica em outras idéias: a de estilo e de poder aquisitivo.

E o que as putas de Copacabana têm a ver com isso? Se você leva em conta que elas são garotas normais e seguem um certo padrão de vestimenta, e se você também leva em conta que não dá nem tempo de puxar uma conversa e se sentir atraído pelas idéias da moça, o que será que garante o emprego das meninas?

Será que é se vestir de patricinha e fazer o que estas não fazem?