Com certeza muito solteiro – e alguns comprometidos – já baixaram esse enigmático aplicativo para saber como funcionava, de que forma as pessoas se comportavam e o que poderia surgir de interessante lá. Essa curiosidade só aumenta com a quantidade de histórias que amigos contam ter acontecido com pessoas surgidas dali.

Se você vem com aquele discurso batido de “eu nunca precisei disso”, vou saciar a sua curiosidade velada e explicar como funciona:

  • cada pessoa tem um perfil com nome, idade e foto;
  • há uma timeline que aparecem os perfis das pessoas;
  • para cada perfil, você pode dar <3 ou X;
  • se duas pessoas se derem <3, vocês combinam e abre a possibilidade de uma conversar com a outra.

É bem simples. Se duas pessoas se gostarem, podem conversar numa boa.

Eu já usei bastante e tenho diversos amigos que utilizaram e utilizam ainda. Então vou compartilhar aqui um pouco das minhas percepções sobre as pessoas lá no aplicativo.

BOA #1: oportuniza encontros inesperados

Na sua busca por pessoas, você seleciona filtros como raio de distância de você, faixa etária e gênero. Mas o interessante dessa etapa de busca é que ele aproxima de você pessoas que você talvez nunca viesse a conhecer, por conviverem em locais diferentes. Por exemplo, o nerd dos games pode vir a sair com aquela viciada no Netflix. E pode até dar certo.

BOA #2: a vez dos tímidos

Não importa o quão legal seja, existem pessoas que “travam” no diálogo cara a cara. O bate-papo virtual pode ser uma possibilidade de desinibir uma pessoa que não é das mais desenvoltas na conversa ao vivo. Ninguém é obrigado a ter uma lábia espetacular para conseguir conversar com alguém lá, basta tentar fazer o diálogo fluir. E o fato de a outra pessoa ter-lhe dado um <3 dá o mínimo de autoestima necessária.

BOA #3: seu perfil apresenta suas expectativas

Um comportamento comum entre os usuários do Tinder é deixar claro em seu perfil o que espera: namoro sério, companhia para dar uma volta, apenas conhecer pessoas novas e tem até quem informe que busca somente sexo casual – para não dizer até outras. Não é uma regra, mas algo bastante comum colocar isso para evitar pequenas frustrações e nivelar as expectativas. O perfil também mostra amigos e páginas curtidas em comum no Facebook, o que ajuda a ver afinidades.

BOA #4: um novo passatempo

Parece desmerecer, mas o Tinder é um grande jogo. Você abre ele quando está na fila do supermercado, na parada de ônibus ou atirado no sofá. E, como quem não quer nada, pode encontrar uma pessoa legal para conversar em uma simples puxada de celular do bolso.

Mas nem tudo são rosas.

RUIM #1: script padrão de diálogo

Talvez seja preguiça mental, mas pouca gente consegue fugir das perguntas padrão: de onde você é; o que você faz; e o que gosta de fazer. Como quase ninguém parece possuir criatividade suficiente para questionar algo melhor, todas as conversas parecem iguais e tornam-se chatas. Dá vontade de ter um carimbo das respostas para não ter de digitar as mesmas coisas para tantas pessoas.

RUIM #2: banalização das pessoas

Como o Tinder é um grande cardápio de pessoas, ninguém se esforça muito por ninguém lá. Você é apenas mais um em um rol de perfis que surgem a cada toque. Falou algo que não gostei? Está fora, já não respondo mais. Essa diversidade torna as pessoas extremamente exigentes e os perfis descartáveis. Não são poucas as descrições que delimitam: “se você fuma, bebe ou possui tal posição política, nem dê <3”. A diversidade de pessoas e facilidade de encontrar alguém deixa os usuários cada vez mais exigentes e menos tolerantes às diferenças.

RUIM #3: falta de noção

Eu não sei o que passa na cabeça das pessoas. Muita gente acha que porque você deu <3 para ela, isso faz de você uma pegada certa. Ou seja, não fazem o menor esforço para serem gentis, educadas, tentar falar algo decente e tirar proveito dos encontros do aplicativo. Isso soma ao tópico anterior: a diversidade faz com que as pessoas falem qualquer coisa sem noção, porque deve colar com alguém. Se não bastasse isso, tem muita gente comprometida lá.

RUIM #4: cada encontro é uma incerteza

Não importa o quanto sua conversa tenha sido divertida, encontrar a pessoa sempre é uma incógnita. Ao vivo tudo pode ser diferente. Sabe aquela coisa de “o santo não bater”? Pois é, pode ser que no encontro não bata, e o seu programa de casal se torne um desastre com aqueles diálogos forçados que não agradam a ninguém. Em contrapartida, aquele encontro despretensioso pode proporcionar momentos muito legais. A melhor postura é ir preparado para qualquer coisa.

RUIM #5: agenda de desconhecidos

A qualidade do chat do aplicativo é muito ruim, trava diversas vezes. Além disso, sempre que a conversa parece fluir, você troca WhatsApp com a criatura. Acontece que algumas vezes você acaba não falando mais com a pessoa. Aí alguns meses depois, possui aquela agenda do celular com um monte de nomes que você nem lembra quem são. De tempos em tempos, tem de fazer uma limpa.

Fazendo um balanço, o Tinder é igual qualquer lugar do mundo real: existem pessoas bacanas e outras nem tanto. Com cautela, é possível que encontros de lá gerem bons momentos. Dê prioridade a pessoas que rolou fluidez na conversa, e não às fotos bonitas com uma conversa para lá de chata.

Há um estigma enorme em torno do uso do aplicativo, como se ele fosse utilizado somente pessoas feias, tímidas e sem a menor possibilidade de ficar com alguém. Vou contar um segredo: tem muita gente bonita, inteligente e divertida lá. Não entendo ainda essa vergonha de falar que usa ou usou.

O maior benefício do Tinder é gerar novas experiências. Algumas são muito positivas, deixando boas memórias e até gerando algumas relações. Assim como é na vida, as ruins servem de aprendizado para que você entender mais sobre pessoas. E não se ache melhor porque você usa os derivados (Happn, Kickoff), as regras do jogo são as mesmas, independente da cancha.

A verdade é bem simples: quem nunca usou o Tinder, que atire a primeira pedra.