O seu Aguiar, natural de Tapes, é o tipo de persona que já fala sorrindo. É um Quick Napolitano das amizades instantâneas. Casado com o ciclismo e amante dos esportes, há mais de 23 anos monta e customiza bicicletas, quase que uma bodas de prata. Já produziu e reproduziu mais de 1.500 bikes em sua árvore genealógica de ciclismo. Uma multidão de traseiros sprintando em cima destes atípicos veículos de andar pra frente que vem tomando conta da nossa querida Porto dos Casais. Ele é o rei das magrelinhas invocadas.

A fama veio mais forte após o trágico atropelamento na Massa Crítica em 2011, pelo inesquecível e ileso Golf Preto de José Ricardo Neis, servidor do Banco Central. Após 4 anos, a cousa foi pra júri popular, veremos se vira causo ou lenda. Aguiar foi o primeiro ciclista a dar uma declaração e pedir a prisão do lacerdinha José. Não demorou muito e foi parar na RBS TV. Neis foi preso e logo solto, afinal nossa vasta Constituição sempre favorece brechas de leis para legitimar autênticos bandidos. Mas muito antes disto Aguiar, nosso camarada, já lutava bravamente pelo ciclismo. “Um corte vertical no trânsito”, como sugere.
Veio pra Porto dos Casais em 2005 pra terminar a faculdade de Educação Física. Sempre na maciota e na boa, com a cabeça fria e o pé quente, ele fez uma cambada de amigos pedaladores, corredores e maratonistas.

Prefeito de Tapes por dois mandatos, seu pai, José Wilson da Silva, também foi relojoeiro. Nunca consertou um relógio, mas também nunca perdeu tempo. Aguiar logo se envolveu como voluntário do Ministério dos Esportes de Tapes. A troco de nada ele organizava maratonas, corridas de bicicleta, nados em águas abertas e até taco, se dessem bobeira nele. Tudo pelo esporte, pelo suor e pelo coração bombando, bombando, bombando.

Um belo dia resolveu fazer a travessia do Náutico pro Pontal, quase 8 km de nado livre. Chegou do outro lado, encontrou uma turma fazendo churrasco, comeu, proseou e se foi embora. Afinal, é assim que os campeões fazem. Gostou da brincadeira e assim começou oficialmente a Travessia do Pontal em Tapes, evento de natação em águas abertas que ganhou o Estado e logo depois virou torneio oficial deste Brasil baronil. É mole?

Pra montar uma bike com o Aguiar segue-se um breve roteiro de perguntas e respostas. É na espera que a coisa acontece. Existe toda uma análise antropológica, psicológica e fisiológica. Os níveis Zen são medidos por uma balança que capta os níveis ectoplasmáticos do vivente.

Transformar a bike na personalidade de um alguém não é tarefa fácil. Vai além dos 50 tons de cinza. Pode ser torto, curvilíneo ou quadrado. Até a bunda sentar na bicicleta tem muitas rodadas de diálogo, cafézinho e manuais de segurança no trânsito. Quantos por aí criam a imaginação? Pedalar um sonho é estar nas nuvens.