O Camisa de Vênus, nasceu em Salvador em 1980, com uma pioneira proposta punk-rock. Há 20 anos sem subir aos palcos com a formação original, na noite desta quarta-feira, dia 16, no Bar Opinião injetaram muito rock na gauchada saudosa de um bom rocknroll. Marcelo Nova (voz), Gustavo Mullen e Karl Hummel (guitarras), Robério Santana (baixo) e o novato Denis Mendes (bateria- e que toca muito!), substituindo Aldo Machado, que virou pastor evangélico e o lendário guitarrista Luiz Carlini da Tutti Frutti – criada no começo dos anos 70 para acompanhar Rita Lee. Logo após a gravação de seu primeiro disco, em 82, o grupo foi expulso da Som Livre, pois não quis mudar seu nome, que a gravadora considerava difícil de ser divulgado. Em 1989, a banda se desfaz com rumores de um grande desentendimento entre eles. Depois disso eventualmente o Camisa realizou esporadicamente alguns poucos shows, mas sempre com formação diferente.

A tarde mesmo, um grupo de fãs órfãos do Camisa aguardavam ansiosos para chegar um pouco mais perto da lendário banda. A equipe chega ao Opinião às 16 horas para montagem de palco. Muito organizados, roadies e técnica seguem as instruções de Robério, que faz as vezes de diretor de palco, preocupadíssimo com todos os detalhes do alinhamento de luz e som ao posicionamento de palco. Diferente de muitas bandas, são os próprios músicos que fazem a passagem de som, que na verdade acaba sendo um ensaio, já que o grupo se reuniu pouco antes desta turnê. ”Ensaiamos apenas três vezes, nos primeiros acordes vimos que continuávamos entrosados” conta Robério, em animada conversa no boteco escolhido pelo músico, que mesmo sem a preocupação de qual público vai encarar nesta turnê, estava curioso pela recepção que teria pela noite. A capital gaúcha marcou a consagração da banda no cenário nacional, quando quase vinte mil pessoas no Gigantinho ovacionaram a banda em meados dos anos 80. ”Sabíamos que aqui havia uma veia forte de rock, mas, quando vi aquele mar de malucos, nos sentíamos como o RPM da época” brincou Nova durante a noite, que mostrava explicitamente sua felicidade em estar no sul.

Depois de tanto tempo, Porto Alegre foi palco do terceiro show desta primeira turnê. O clima saudoso de roqueiros e roqueiras de plantão era iminente e insandecidos intimavam a banda a subir ao palco. O show começa pontualmente as 23:30. Camisa de Vênus quebra o silêncio com os acordes “Simca Chambord”: a galera vai a loucura. Indecorosos e irônicos como sempre, o grupo mostrou a mesma química de antes. Recheado de hits ”Bete Morreu”, ”Só o fim”, ”Silvia”, entre outras, o set-list da noite não mostrou nada inédito, contudo, incendiou a noite fria. ”O show é novo com material velho.” fala Robério. ”Principais hits acoplados por alguns grandes fracassos, porque senão não tem graça” emenda Nova. Finalizaram com ”Eu Não Matei Joana D’Arc”. Os caras extremeceram o Bar Opinião. Missão cumprida. Para nós e para eles.

O grupo decidiu encarar a turnê sem inéditas como um aquecimento para a gravação de material novo. O primeiro show desta turnê, gravado em Minas Gerais promete render um DVD.

Louvado seja o Camisa. Abençoado seja o Rock!

Por Grace de Cordova – Fotos Paula Gonzalez