O primeiro texto que escrevi aqui na MOOD foi em fevereiro deste ano, com o título  “Quando pisquei, inflacionaram meu combustível!”. Um desabafo que refletia o que eu e milhões de brasileiros sentiram no bolso naquela ocasião, quando o governo federal promoveu um reajuste da tributação incidente sobre a gasolina e o diesel. De lá até aqui os preços do combustível oscilaram bastante, até se estabilizarem (em um valor já altíssimo). Pois, menos de um ano depois, novamente fomos abusados por uma política econômica desastrosa.

A Petrobras decidiu reajustar em 6% o preço da gasolina e em 4% o preço do diesel nas refinarias, aumento esse que entrou em vigor a partir da meia-noite desta quarta-feira (30). Todos acordamos com os postos de combustível repassando integralmente o aumento para o consumidor, que, em Porto Alegre, por exemplo, já estão observando preços de R$ 3,50, com previsão de bater na casa dos R$ 4,00 em 2016, segundo um dos donos de redes do RS, em entrevista para a Rádio Gaúcha.

Que as distribuidoras e postos regularmente são acusados de hiperinflacionar esses valores nós já sabemos. Mas, desta vez, não vejo assim. A Petrobrás justifica os aumentos ou reajustes, como gostam de falar para parecer menos pior, por um motivo: problemas de caixa da empresa após a forte alta do dólar nos últimos dias. Particularmente, ainda fico pasmado com tamanha cara de pau e despretensão.

O que temos, na verdade, são dois problemas. O primeiro deles já bem antigo e conhecido e atualmente podemos nos manter informados por meio da CPI da Petrobrás. Um esquema de corrupção político/partidário que pagou campanhas e enriqueceu políticos e empresários, a maioria ocupando cargos e prestando serviços para o governo federal. A segunda parte dessa história está na alta do dólar, que vem ocorrendo já há algum tempo, mas só agora foi notada de fato. Em comum esses dois fatos tem uma coisa: ambos são de responsabilidade/irresponsabilidade do governo e nós é quem pagamos as contas.

Há alguns dias, assisti um economista comentando a alta no dólar com argumentos bem sólidos. Dizia que não reflete uma crise econômica, mas sim uma política econômica. Que o Brasil não interfere para baixar as cotações propositalmente, pois isso faz parte do reajuste externo das contas. O governo teria mantido por muito tempo a moeda americana em “baixa” e agora precisaria fazer isso para ter segurança. Militantes do governo compartilharam isso com sorrisos, como se fosse um tapa na cara da sociedade.

Infelizmente, como se já não bastassem todas as outras mazelas públicas, tomamos sim um tapa na cara, mas não por esse motivo. No fundo, é mais um soco no estômago. Uma mão grande nos nossos bolsos. Desculpas e mais desculpas para cobrir as barbáries econômicas que acompanhamos nos últimos anos. Desvios de dinheiro público e programas assistencialistas com cunho político que geraram um rombo incalculável aos cofres do país.

Antes que me crucifiquem por eu estar criticando as “Bolsas” de Lula e Dilma, aqui não existe nenhum tipo de apologia ao abandono da população de baixa renda. Convivi com pessoas necessitadas do Bolsa Família, tenho ótimos amigos com ensino superior pago ou financiado pelo governo e alguns excelentes profissionais que tiveram apoio para o ensino técnico. Por si só, todas são “solução”, para o indivíduo.

A questão é que educação sem emprego, sem que isso gere crescimento do país é pura e simples politicagem. Ofertar renda de um lado e tirar/roubar do outro é o mais profundo e triste cenário possível. Um atestado de hipocrisia e falta de caráter, do fundo do poço da nossa política. Pagamos todos, em várias moedas.