Os poetas do delírio popular

Pra arrecadar fundos pra minha formatura, o veraneio na Jamaica e comprar o meu tão sonhado Puma 77 em pintura tigrada tenho a receita perfeita. Vou lançar um livro de aforismos e frases com grandes pensadores brasileiros. Entre eles Pelé, Sartori, Marcos Feliciano, Bolsonaro, Xuxa, Luciano Hulk, Levi Fidelix, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, Mara Maravilha, Carla Perez, Galvão Bueno, Zé Bonitinho, Nelson da Captinga, Ronaldo Fenômeno, Dercy Gonçalves e grande elenco.

Minha estimativa são os milhões de cópias. Vou ficar tão rico, mas tão rico, que vou abandonar meus bloquinhos de notas e usar cédulas de 20 e 50 para anotações. Ninguém ainda soube dar o devido valor a esta elite intelectual e pensante 100% tupiniquim. Segundo Adriane Galisteu, por exemplo, “Fui a última mulher da vida dele (referindo-se ao Ayrton Senna)”. Uma conclusão genial da nossa colega.

Nada como um “Brasileiro não sabe votar” dito pelo Pelé, em plena ditadura militar. Ou o pedido de calma para fazer protestos “Deixemos pra depois da Copa”. É isto aí. O legal de protestar é ter um calendário fechado com número de participantes, metas e tudo equilibrado no Excel. Senão é baderna.

Uma das minhas favoritas é a Dercy Gonçalves: “Não falo palavrões, falo o apelido que colocaram nas coisas”. Ou ainda “O país me conhece, o país grita : Dercy! Fala palavrão [eu grito de volta]: Vai tomar no cu! Eles morrem de rir”. Esta soube viver. Sabia o jeito.

Nos capítulos bagualinos que seguirão no meu livro de aforismos não poderá faltar o Sartori, nosso governador. “Transição é transição, por isto se chama transição”. Até um pouco antes desta afirmativa eu jurava que era o contrário. “Piso bão é lá na Tumelero”. E é verdade. Garantia é garantia em porcelanatos, o resto é intriga da oposição.

“Copa se faz com estádios. Não se faz com hospitais e escolas”, disse o nosso Ronaldo Nazário Fenômeno. Não sabe diferenciar uma mulher de um travesti, mas é muito bem orientado em política e deveres cívicos. Aqui no Brasil acho que poderíamos ir um pouco mais além. Colocar algumas linhas do SUS nos próprios estádios de Futebol. Ainda poderíamos integrar algumas escolas em salas nos redores dos clubes. Quando vê até dava pra climatizar o ambiente e colocar um wi-fizinho. Sejamos práticos.

Enfim, meus caros. Eu poderia passar horas aqui mostrando como estas frases tem sentido e dão ideias fundamentadas em nossas vidas. Não vou queimar meus cartuchos. Tenho que garantir meu pé de meia. Com a grana que sobrar da venda dos livro vou abrir um Instituto pra cuidar da calvície precoce que afeta milhões de brasileiros. Viva os poetas do nosso delírio popular.

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