Somos há pouquíssimo tempo uma democracia, cerca de três décadas apenas. Pelo menos na forma representativa de nosso atual sistema político. Isso significa que antes haviam modelos arcaicos de gestão, todos impositivos e imperativos, de uma forma ou de outra. Na época em que os portugueses “descobriram” o Brasil, quem mandava por aqui eram os poderosos caciques. Iniguaçu, Cunhambebe, Piragibe, Tibiriçá e outros tantos dominavam Potiguaras, Tupinambás, Tupiniquins e por ai vai. Mais de 500 anos depois, se olharmos bem para o cenário, vamos continuar enxergando “tribos” e seus “caciques”. Uma, em especial, muito astuta e de fácil circulação entre as demais, comanda as ações.

O Partidos dos Trabalhadores (PT) elegeu, mais uma vez, a “presidenta”. Mas não manda. Aceite isso. O PSDB, oposição que mais ameaçou a estrela vermelha nos últimos anos, publicamente é claro, manda menos ainda. Na verdade, qualquer um deles até manda, mas apenas se outra grande tribo aceitar. O PMDB, partido mais trifásico do Brasil, como já diria um amigo, é quem dá as cartas. E não são cartas baixas do baralho, eles têm aquele Ás na manga. Estão inseridos em toda e qualquer articulação política do país, com seus caciques do mais alto escalão mandando e desmandando nas mais importantes instâncias. Duvida disso? Então vamos aos fatos.

Você conhece a linha sucessória da presidência da República? Em caso de ausência de Dilma Rousseff (PT) assumem, nesta ordem: vice-presidente (Michel Temer – PMDB), presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha – PMDB), presidente do Senado Federal (Renan Calheiros – PMDB) e presidente do Supremo Tribunal Federal (não vem ao caso agora). Já temos alguns elementos aqui, não o suficiente para comprovar a teoria. Seguindo a mesma linha de raciocínio, extrairemos mais dessa informação. Michel Temer, além de vice-presidente, é o líder máximo do PMDB, presidente da sigla. Principal articulista do governo, atualmente acumula as funções antes exercidas pela Secretaria de Relações Institucionais, extinta faz pouco e que possuía patamar de ministério.

A era do ódio nas redes sociais

Temer tem como seu principal desafio manter o controle de seus dois parceiros de legenda. Eduardo Cunha é índio velho na Câmara (entre outros lugares). Sua função, enquanto presidente da casa, é definir a pauta de proposições a serem deliberadas pelo Plenário. É claro que ninguém decide sozinho, mas a palavra final é dele. Poder nas mãos de um peemedebista à frente de algo definido como: “O Poder Legislativo cumpre papel imprescindível perante a sociedade do País, visto que desempenha três funções primordiais para a consolidação da democracia: representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos” (Fonte: www.camara.leg.br).

Já na presidência do Senado e do Congresso Nacional habita Renan Calheiros, alguém que dispensa apresentações, ou não, já que segue sendo reeleito. Este cacique é tinhoso. Dos mais espertos e influentes que já vimos. Mantêm-se discreto para seguir seus planos e aliados. E a definição oficial de o que ele faz é das mais simplórias: “o presidente do Senado Federal, que também preside a Mesa do Congresso Nacional, é o representante máximo do Parlamento brasileiro perante a sociedade. Também tem o poder de definir a pauta de votações dos plenários do Senado e do Congresso…” (Fonte: www.senado.leg.br).

Os fatos vão se somando e mostrando quem manda aqui. Para completar, sem muita análise e com mais números, o PMDB ainda conta com as seguintes marcas:

    • Está à frente de 6 ministérios (Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Minas e Energia; Pesca e Aquicultura; Turismo; Secretaria de Aviação Civil e Secretaria dos Portos). Isso tudo representa parte do sistema de abastecimento, turismo e transporte do país;
    • Maior número de senadores entre todos os partidos: 17/81 (isso sem contar com os aliados);
    • Maior bancada da Câmara dos Deputados: 152/513 (contanto com aliados);
    • Partido que elegeu mais governadores em todo o país nas últimas eleições: 7/27 (RS, RJ, ES, RO, TO, SE e AL).

Pra quem ainda duvida da força dessa “tribo” e seus “caciques”, aguarde até as próximas eleições. Essa base construída por baixo dos panos nos últimos anos, enquanto PT e PSDB digladiavam entre si, certamente não será subaproveitada. Mesmo com suas principais lideranças envolvidas há anos nas maracutaias do país, o partido pode entrar na briga pela principal cadeira do governo limpo perante os eleitores. Fique atento!