Desde o início de nossa entresafra, pode-se dizer que a noite carioca avolumou-se, em diversos sentidos. Vamos relembrar aqui alguns dos destaques do circuito noturno carioca, durante esse período, e que provavelmente estariam sendo falados aqui nas páginas virtuais da MOOD.

Retrospectiva – A dança das cadeiras

Um número significativo de casas noturnas abriram suas portas de janeiro para cá. Apesar de não parecer, a noite carioca vem recebendo cada vez mais investimentos em locais fixos, apesar de nossa cultura noturna ainda estar mais direcionada para festas temporárias.

Destaque para o espaço super charmoso do Dama de Ferro, em Ipanema, que herdou a decoração experimental do Galeria Café e estabeleceu um pouso certo para os seguidores cativos do House carioca.

Primeiramente com ares de se tornar um grande club, capaz de fazer concorrência com a Bunker em estrutura, a Six, na Lapa, decepcionou gregos e agradou troianos. Espaço nota 10, público, nem tanto.
A galera da Casa da Matriz Produções ampliou seus domínios e lançou o Restaurante-Lounge MOOG (qualquer semelhança com o nome desta Revista é mera coincidência, ou não), em Botafogo. Transado e com um ótimo cardápio de DJ´s cariocas, ainda precisa consolidar seu público cativo para adquirir cara própria.

Em um esquema mais simples, renasceu o antigo Bukowisk, também em Botafogo, com música dançante e um público bem diversificado.
Lançado no final do ano passado, a pista super intimista do Restô, em Ipanema, ainda é uma ótima opção para os houseiros cariocas, mesmo depois da saída de sua produtora, Adriana, que montou o seu club próprio, o Dama de Ferro, citado acima.

Novos espaços em reta ascendente: Cine Ideal, preferido do público GLS e as grandes Festas-Shows no Anfiteatro da Fundição, para a garotada ligada em música brasileira. Consolidadas, graças a um ótimo trabalho de produção, ainda estão nossas velhas Bunker e Loud. E, em reta descendente, o Galeria Café, que parece não resistir à concorrência de novidades no segmento gay, e a antiga pau-para-toda-obra Casa da Matriz, onde a predominância de grupos de rapazes “na caça”, acabou por desfigurar o seu tradicional ambiente acolhedor.

Música Eletrônica com marca registrada

A música eletrônica saiu definitivamente do underground. O patrocínio de grandes marcas trouxe para a cidade diversas atrações internacionais que antes passavam ao largo de nossa cena diminuta. Para o desespero das pessoas que realmente conhecem a consistência dos DJ´s e produtores que aportaram por aqui, em muitos casos, uma legião de “surfistas” da onda, trouxeram seus maus hábitos e sua ignorância musical para uma cena que, pelo tamanho da cidade, já deveria estar desenvolvida a mais tempo.

O top DJ Carl Cox, hours concours da crítica mundial, esteve no Rio, durante o Carnaval, na chamada Bavaria Vibes. Porém, tamanha confusão resultante de uma péssima organização levou verdadeiros admiradores a deixar o enorme espaço onde o mestre do Techno e do House de Chicago se apresentou. Rapazes sarados se acotovelavam no afã de buscar uma cerveja, ou mesmo na gigantesca fila do caixa para comprar fichas. É impressionante como certos programas seguem uma proporcionalidade inversa quanto à equação preço X conforto, ou seja, as pessoas pagam caro para serem mal tratadas.

A versão anual do Skol Beats, desta vez concentrada em Sampa, deslocou legiões de clubbers de todo o país para a terra da garoa, e deslumbres e over lookings à parte, trouxe em seu extenso line up 8 entre 10 dos mais consagrados DJ´s, produtores e bandas de música eletrônica do país e do mundo. Um verdadeiro marco da consolidação da cultura eletrônica no país, apesar de algumas mancadas de produção e da má vontade da PM paulista, que resolveu aporrinhar o saco de geral por causa de injustas generalizações envolvendo a música eletrônica com o consumo de excatsy. Vai prender bandido, pô!

Raves – um formato em decadência?

A indagação persiste ao longo de 2002. Apropriações fajutas do termo para produções de baixíssimo nível desvirtuaram um formato extremamente divertido há até pouco tempo atrás.

A galera que curte as diversas variações do Trance ainda encontra produções que satisfazem as suas necessidades, porém os demais estilos da e-music foram sucateados nos diversos ” festivais-com-tenda-disso-e-daquilo”, que ganham o nome de rave, com a mesma displicência de quem se refere à música eletrônica como tékino, de uma maneira geral.

Exceção à regra, foi a tradicional Bunker Rave, que ainda preservou suas raízes underground e reuniu mais de 9 mil pessoas em clima de total jogação, sem que houvesse uma mínima confusão, ou contratempo de produção. No mesmo dia, uma aglomeração de 6 mil playboys praticamente destruiu o Parque Terra Encantada, em uma festa-pancadaria de calouros de uma universidade de segunda. Só para sacar o que é a diferença de conceitos.

Momento Sublime


Durante o carnaval, o Rio de Janeiro, por mais que ostente o título de capital do samba, tornou-se o epicentro Off do país, oferecendo uma gama de opções para quem não curte os ziriguiduns típicos da época.

A Lapa continuou oferecendo uma gama variadíssima de shows no palco armado em frente aos Arcos, em um clima altamente democrático para todos os gostos.
O público GLS-vitaminado de todo o país baixou na cidade e se acabou em festas da X-Demente, na Fundição e na Banda de Ipanema, ostentando músculos e amor para dar.

Destaque especial para as formidáveis festas houseiras na Praia de Ipanema, ao longo do feriado, promovidas pela galera e DJ´s do Restô. Quem amanheceu o dia por aquelas bandas, pôde se deliciar em dançar com o pé na areia, depois de um mergulho+nascer do sol cinematográfico. Amigos gringos sentiram pré-orgasmos.

Para quem curte de tudo um pouco, o feriado do Carnaval na cidade foi animadíssimo com diversas bandas e blocos pelas ruas. Destaque para o circense Cordão do Boi Tatá, que levou um exército de fantasiados para as ruas do Centro do Rio, em um verdadeiro resgate do antigo clima de carnaval de rua.