Em comparação a outras capitais européias, Roma é uma das mais acessíveis finaceiramente. Se você souber evitar as zonas centrais e turísticas na hora de gastar, dá para se virar legal com pouca grana. Por outro lado, as “armadilhas para turistas” proliferam nas áreas próximas ao Coliseu, por exemplo, ou ao Vaticano (irônico, não?).

Comida em Roma:

só come mal quem quer. Recorrer ao McDonald’s, por exemplo, é burrice gastronômica e economicamente. Uma refeição custa em torno de 5 euros, o que vem a ser R$10, preço pelo qual pode-se comer muito melhor em uma tavola calda (literalmente, mesa quente: uma espécie de fast-food, mas com comidas de verdade). Ou, ainda mais barato, pode-se entrar em um armazém ou padaria e pedir um sanduíche que se faz na hora. Todo mundo faz, não precisa se preocupar que não é cafonice. E o sanduba mais chinelão vai ser tipo: presunto crú, mussarela de búfala e rúcula.

Ah, cuidado: se for mesmo comer nos bares do centro, faça-o de pé. Se sentar, paga o dobro.

Compras:
aqui o bicho pega. Nas ruas em torno à piazza di Spagna, você irá encontrar, enfileiradinhos: Gucci, Prada, Moschino, D&G, Armani Jeans, Gaultier, La Perla (lingeries ab-sur-das), e demais maravilhas da sociedade de consumo. E você vai babar e se sentir muito, mas muito pobre: os preços raramente são abaixo dos 500 euros. Alguns metros mais adiante, na via del Corso, há milhares de lojas cujo estoque se inspira nas vitrines de griffe, só que o preço (e o acabamento, e o gosto) é muito inferior. Fuçando encontram-se coisas bem legais. A barbada é investir em sapatos: mesmo os mais baratos são de excelente qualidade, bem melhores que muita Para Raio e Arezzo da vida.

Turismo:
ao contrário de Londres, paga-se para entrar em todos os museus e lugares históricos. Porém, vale a pena ver os Museus Vaticanos – fila digna de INPS -, o Coliseu – já que aqui estamos -, e a Basilica de San Pietro – essa sim, por incrível que pareça, é de graça. Entre abril e maio costuma rolar a semana dos bens culturais, e a maioria das atrações tem entrada franca. Na verdade, toda a cidade é um museu, basta passear a pé para ver lugares incríveis. Fontes, muralhas, ruínas, palácios. Tem horas em que não se sabe para onde olhar.

Transporte:
desorganizado, trânsito caótico, motoristas grosseiros. Há várias linhas de ônibus que cobrem toda a cidade, e existe uma frota noturna, rápida e segura. Até pouco tempo atrás, não existiam cobradores, o usuário comprava a passagem nas bancas. Só que os fiscais subiam para controlar uma vez por ano, em média, portanto cerca de 10% dos romanos efetivamente adquiriam a passagem, enquanto os outros davam uma de espertos. Agora a prefeitura tá dando uma dura. De qualquer forma, é aconselhável comprar a tal passagem, porque quem for pego paga 50 euros de multa. O metrô funciona razoavelmente bem, mas só existem duas linhas, A e B.

Festa:
por algum motivo, os romanos adoram pubs irlandeses. Tem milhares, e é claro que de irlandês só tem o nome e a decoração. E a cerveja, graças a Deus. Para quem quer algo de sabor mais nativo, há também muitas vinerie, bares onde se vai para beber vinho. Além disso, discotecas maurício/bregas para quem gosta (ué, tem quem goste, não tem?), e os centros sociais. Nesses, tem que ir para entender o que são. Uma evolução do squat, edifícios ocupados e transformados em bares e casas de show. Geralmente é onde rolam as melhores festas, e não se deixem assustar pelos punks nem pelos traficantes na entrada: o clima é super tranquilo.

Ok? Então o que falta? Sexo, drogas e rock n’roll: mas falamos disso na próxima. Até breve, e se vierem por estes lados, não deixem de me escrever, daí a gente se encontra.

Por Homera Cristalli