Tonho Crocco de todos os santos

Um cientista da funkadelia musical, Tonho Crocco é um dos maiores orgulhos da cultura popular de nossos pampeados. Mais do que um músico de mão cheia, ele é um pesquisador perseverante da música negra e de suas infinitas possibilidades. É, mas não para por aí. A música é só o produto final da salvação: Tonho também beberica na política, no budismo, no vegetarianismo e na poesia da mais alta procedência. É um artista sem preço.
Fui convidado pra ouvir em primeira mão as prévias de seus novos trabalhos. Me perdi no caminho, mas não foi difícil achar o Tonho não. No Partenon ele é quase um ponto turístico. Todo mundo sabe onde fica. O Partenon todo se orgulha do canário que habita seu reino. Na nossa versão de Brooklyn aprendeu a viver. Aliás, o Partenon é berço da música inovadora: Luis Wagner, Da Guedes, Pau Brasil e Ultramen.
Entre guitarras, violões, samplers de DJ e grafite a casa de Tonho tem uma coleção de discos de vinis da porrilhésima potência. Banda Black Rio, Funkadelic, Tim Maia de todos os gostos, Pau Brasil, Luis Wagner, Zapp e por aí vai. Mas não fica só na nostalgia, Tonho procura manter as antenas ligadas em novos artistas que estão por aqui buscando novos jeitos de se fazer música. É padrinho de muita rapazeada que tá começando, do rádio ao underground. A entusiasmante Camila Lopez, uma das novas grandes vozes daqui, por exemplo, é uma delas. Estão fazendo uma parceria de gogó juntos que vai dar no que falar. Por estas e outras que vai faltar rádio pro que está por vir.
Quando digo que Tonho Crocco é um dos maiores ícones da cultura pop da gauchada, é porque ele transcende os estilos, e tão pouco integra o conceito simplório do Rock Gaúcho e dos cabelinhos milimetricamente desfiados da classe média rebelde dos pampas. Tonho Crocco é do Brasil. É o samba, o R&B, a MPB, o rap, o samba rock, o balanço, o funk soul e o crooner da voz que sobra. Tonhão, mais do que do povo, é do som. Não é um estilo: é a musicalidade.

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