Gratidão – atitude ou sentimento?

É fácil agradecer pelo favor recebido, fácil lançar um obrigada pela tarefa solicitada e realizada, pela manteiga pedida e alcançada. É fácil agradecer, o difícil é ser verdadeiramente grato. Agradecemos em alto e bom som pelo que nos é palpável, pelo que socialmente, esteticamente e materialmente nos foi concedido/adquirido, somos gratos em silêncio pelo que vivenciamos, pelo que aprendemos com quem amamos e com quem nos amou, somos gratos muitas vezes até por aqueles que nos magoaram, a gratidão é discreta e devastadora, o agradecimento é eufórico e passageiro.

Sim, agradecer faz bem, é justo, melhora as relações e abre espaço para novos e merecidos favores. É tão chato ser gentil e não receber em troca nenhum traço de reciprocidade. Agradecer é polido, simpático e prepara um terreno fértil de habilidade social, convivência agradável e profícua. Ouço dizer que as três palavrinhas mágicas: por favor, desculpe e obrigada, foram as criadoras da civilização, mas gasto muito tempo na singela e discrepante percepção de que a gratidão e o agradecimento nem sempre andam juntos. Se o ato de agradecer não tiver sua origem na gratidão, ele é meramente descartável, por ser falso e interesseiro. Já a gratidão, essa é superior por si só. Ela não precisa de pilares para existir, ela simplesmente é, por si só e por ser em si.

Muitas são as histórias de superação que correm nossa linha do tempo do Facebook diariamente, histórias, de fato, tristes, que nos fazem refletir sobre “Oh meu Deus como a minha vida é boa!”, quando na verdade, vivemos momentos de superação diariamente, sejam eles maiores ou menores do que o resto do mundo. Sermos gratos por tê-los e por superá-los faz parte, e o mais importante disso tudo é o fato de que todos nós carregamos em si o agradecimento. E é isso o que nos torna humanos de verdade.

Você está sendo, de fato, grato pela vida?

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