Foi pelo comentário negativo dele em relação a sua banda favorita? Foi porque o dia amanheceu nublado e a culpa foi dela? Foi quando ele reclamou do seu esmalte verde limão? Ou foi quando você entrou em casa e não se reconheceu mais naquele espaço, naquele sentimento, naquela cor de cabelo? No meu caso, o fim do relacionamento, foi por culpa do Nando Reis.

Dizem que a gente sabe quando o amor acaba,  eu ainda acho que o amor não acaba, o que acaba é a coragem pra seguir mantendo aquele sentimento entubado, com choques diários de desfibrilador e um soro direto na veia mais gordinha do coração.

Muitos são os motivos que nos fazem crer que “aquilo tudo” não nos cabe mais, por mais que a gente insista em entrar naquela calça 36 dos nossos saudosos 18 anos. Amor é assim, quando “acaba” é assim. A gente não cabe mais, mas ainda insiste até um dia se olhar no espelho e ver que o tal jeans parou nas nossas coxas e não há santo que faça ele chegar no quadril!

 

Quando a sua coragem acabou?

Para a atriz Tainá Müller, de 31 anos, funcionou mais ou menos assim:  “Um amigo certa vez me disse que a gente sempre sabe o exato momento em que o amor morre. Contou que no caso dele foi quando ela chegou em casa e pendurou o guarda-chuva molhado. Algo naquele pequeno gesto banal fez com que ele percebesse o final da história, como num estalo. Eu concordo. Sempre há aquele momento exato em que a ficha cai e a gente simplesmente entende (ou aceita) que não há mais nada lá (…) Uma artéria aberta sem torniquete possível. Não havia mais nada a ser dito ou discutido, nada pelo que lutar. Com a casa vazia, nenhuma frase. Ou melhor, uma só: a palavra é última coisa que seca quando o amor acaba.”

A cantora Bárbara Eugênia, de 33 anos ousou até musicar esse sentimento – ou a ausência dele:

Fui embora, larguei tudo o que fomos


Sonhos que construímos, a casa que sonhamos


Fui embora, larguei tudo o que rimos


O quarto em que dormimos, a vida que levamos


Precisei não te fazer sofrer ainda mais


Precisei me ver feliz, estar em paz


Tinha medo do que seria, medo de ficar sozinha


De ficar sem esse amor que foi meu lar
e meu coração


Foi meu abraço e meu cuidado


Mas passou a não bastar


Tive que fugir pra tentar chegar em algum lugar


Tive que fugir pra tentar chegar em algum lugar, eu tive


Tenho que me despir de tudo pra ver o que realmente há


Você foi meu amor e por isso agradeço


E me fortaleço sabendo que amor assim


Já esteve aqui e um dia vai voltar

 

<3

 

Já para Matheus Souza, cineasta de 24 anos, o amor começou, mas a coragem que faltou foi pra deixar ele vingar: “Um dia dormimos juntos na casa dela e, na manhã seguinte, acordei cedo pois tinha um ensaio. Antes de sair, chequei meus e-mails no computador. Engraçado, às vezes tenho a impressão de que, se eu simplesmente tivesse clicado em “sign out” naquele dia, estaríamos juntos até hoje.

No meio do ensaio recebo o seguinte SMS:

“Eu fiz uma parada que não devia, agora a gente precisa conversar. Me liga. É urgente”.

Eu nunca liguei. E ela me mandou uma sequência de mensagens de texto que também nunca tive coragem de responder.

Até hoje não sei o que ela viu nos e-mails, mas encontrei o celular da época e aproveito essa chance para, enfim, responder as mensagens.

“Por que você namora comigo? Pra quê?”

Vinte anos de idade e eu tinha encontrado a mulher perfeita. Você era a mais bonita das mais bonitas, gostava de ir ao cinema, tinha opinião, gosto musical idêntico ao meu, usava calcinhas fofas e era uma boa dupla no pingue-pongue.

“Meu Deus, que tipo de pessoa é você?”

O tipo que não estava acostumado àquele tipo de felicidade. É uma pressão encontrar a mulher que você sempre sonhou aos 20 anos. Eu era um menino que tava acostumado a jogar videogame sozinho, reclamando da vida para os amigos no Google Talk. Você é mais velha, tinha seu apartamento e um gato. Isso me assustava um pouco. Desculpe se você viu algo chato que tenha escrito sobre você. Não era verdade. Eu só precisava inventar defeitos em você para me sentir confortável.

“Eu nunca te pedi nada, só a sinceridade. O que era verdade? Como você consegue? Eu sou uma imbecil mesmo!”

O irônico é que na noite anterior tive um raro momento em que esqueci todas as minhas neuroses. Dormimos de conchinha e me senti acolhido. Como se, de alguma forma, aquilo que as comédias românticas mostrava fosse verdade. E eu era sim um daqueles sortudos que encontrava o amor da vida aos 20 anos e ponto-final.

“Eu tava gostando tanto de você.”

Eu também. Maldito Gmail.”

Conhecer, ver, encantar-se, ver de novo e de novo e de novo e sentir uma vontade arrebatadora de não deixar de ver nunca mais. Até amanhã. Quando a gente não vê mais o outro, não mais se vê no outro e sente uma necessidade quase que doída de passar a se ver novamente.

“O fim de uma relação amorosa é inevitável, mas o amor em si não tem fim. O amor segue impresso na alma. É um laço que nos une através dos tempos, das vidas, do espaço.” – Bárbara Eugênia

Buuuuuut, como a MOOD não apoia dor de cotovelo e acredita no amor verdadeiro (acredita?) a próxima música é pra você ser feliz e lembrar que o pé na bunda que você deu ou levou foi o ponto alto da sua vida. Mesmo que seja mentira, ups! ;x

PREEEEEE-PARA! E não venham me dizer que não gostam!

Por Paula Moran


Paula Moran

Gauchíssima, já quis ser arquiteta, bióloga marinha, jardineira e bailarina, no momento é conteudista na MOOD, social media em uma agência digital e estudante de Jornalismo. É curiosa e fofoqueira, mas não curte muito o ser humano, então prefere interagir com as plantas. Quando crescer quer ser instrutora de yoga para animais, mas antes disso precisa parar de fumar. Nas horas vagas costuma alternar paixões entre livros, lápis, papéis, música, incensos, chás e tatuagens. Se tudo der certo vai dar tudo errado e ela vai ser deportada para o Uruguai.

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